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Perfusão e Circulação Extracorpórea: suporte de vida fora do corpo

01-10-20 | Destaque, Habilitações, Notícias

A Perfusão e Circulação Extracorpórea é mais uma habilitação da Biomedicina que ganhou destaque por conta da pandemia do novo coronavirus. Uma de suas técnicas, a oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), está sendo utilizada no tratamento de pacientes graves de Covid-19.

A perfusão e circulação extracorpórea é um suporte artificial de vida realizado por equipamentos que substituem, temporariamente, as funções do coração, rim e dos pulmões. O procedimento costuma ser utilizado em transplantes, cirurgias cardiovasculares e de retirada de tumores, e em casos de insuficiência pulmonar e/ou cardíaca.

Cabe ao biomédico habilitado montar o dispositivo de circulação que drena, filtra, oxigena e re-injeta o sangue no paciente assim como monitorar indicadores como pressão, temperatura, coagulação e fluxo sanguíneo.

Para o biomédico habilitar-se em perfusão e circulação extracorpórea, ele deve fazer uma pós-graduação de 1.200 horas, sendo 800 horas de aulas práticas. Entre o conteúdo estudado estão os componentes do circuito, montagem e preparo do material para circulação extracorpórea (CEC), perfusato, fluxos de perfusão, condução da CEC, hemodiluição, anticoagulação, hipotermia e equilíbrio ácido-base e hidroeletrolítica. A Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea (SBCEC), uma das instituições autorizadas pelo CFBM a conceder o título de especialista, recomenda ainda que, no curso prático, sejam realizadas 100 perfusões.

Biomédica membro da SBCEC e perfusionista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Raquel Krüger Miranda destaca nesta entrevista ao CRBM-5 a necessidade de constante atualização e conta detalhes da rotina deste profissional.

– Qual perfil e quais habilidades o biomédico deve ter para trabalhar com perfusão?

Raquel Miranda – A atuação mais comum do perfusionista é no controle da máquina coração-pulmão nas cirurgias que utilizam essa técnica. As mais frequentes são as cirurgias cardíacas (infantis ou adultas), mas essa máquina também pode ser utilizada em cirurgias pulmonares, hepáticas e oncológicas. Além das cirurgias, existem vários suportes em que o paciente fica dias, ou até meses, utilizando o equipamento, necessitando assim do acompanhamento do perfusionista. O dia a dia costuma ser dentro do bloco cirúrgico e de centros de terapia intensiva de hospitais de grande complexidade. Na maioria das vezes, é difícil ter uma previsibilidade exata de duração dos procedimentos ou de quando eles irão acontecer.

É uma área que exige bastante disponibilidade de tempo: frequentemente não há hora para entrada e saída, noites, feriados ou finais de semana. Além disso, o perfusionista deverá ser uma pessoa resiliente: lidamos muito com situações sob pressão, nas quais é preciso tomar decisões rápidas e adaptar-se à realidade. Nesta área, o biomédico lida diretamente com o paciente e seus familiares, e é preciso haver preparo psicológico e emocional para todos os desfechos. A Perfusão requer amor pelo que você faz e muita persistência para alcançar seus objetivos, mas é extremamente gratificante ver que você pode contribuir para a melhora de um paciente.

– É uma área que exige constante atualização em novos procedimentos e tecnologias?

Aparelho de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), que tem sido usado no tratamento de pacientes graves de Covid-19

RM – O campo de trabalho do perfusionista está constantemente em inovação. A oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) já é uma realidade em muitos serviços. Nesse tipo de suporte, o paciente pode ficar dias, ou até meses, em uso do dispositivo, e o perfusionista participa tanto da montagem do circuito quanto da sua condução e manejo juntamente com a equipe multiprofissional. Além da ECMO, existem diversos outros dispositivos de suporte cardiorrespiratório sendo utilizados, como o Heartmate, uma espécie de ventrículo artificial implantável de longa duração que já é realidade no sul do Brasil.

Sendo assim, o perfusionista deve ser uma pessoa sempre disposta a se renovar e aprender. Não deve ficar acomodado em seu conhecimento inicial. Deve ser especialista no que faz: não simplesmente aprender a técnica com alguém, mas realizar um curso de qualidade para sua formação profissional e participar constantemente de atividades de atualização. E não deve trabalhar isolado, mas em conexão com outros profissionais da área, com seu Conselho Profissional e com a SBCEC, pois a união nos fortalece como categoria profissional.

– Como está o mercado para os biomédicos nesta área?

RM – O mercado de trabalho para o perfusionista é bem pequeno, visto que um profissional é suficiente para a realização de uma cirurgia com o uso de CEC, e os profissionais costumam ficar muito tempo em uma mesma equipe/local de trabalho.

O perfusionista pode ser contratado por hospitais que possuem serviço de cirurgia cardíaca ou se vincular a uma equipe médica que opere em diversos hospitais. Ele também pode trabalhar como especialista de produtos em empresas que revendem materiais para esta área. Além disso, a atuação também vai até o campo da pesquisa, do desenvolvimento de protocolos e do ensino.

Minha dica para o biomédico que sonha em ser um perfusionista é dedicação. Pelo fato de haver uma baixa disponibilidade de vagas no mercado de trabalho, os mais bem capacitados têm mais chances de chegar onde sonham. Façam disciplinas relacionadas à CEC enquanto estão na graduação e, se possível, um estágio para conhecer a área. Após se formarem, façam uma pós-graduação em Perfusão em um Centro Formador reconhecido pela SBCEC, pois esse será de qualidade. Uma boa porta de entrada nesta profissão é pelos estágios que serão realizados dentro da sua formação e por meio dos contatos formados em cursos e congressos. Quando possível, obtenham o Título de Especialista pela SBCEC, pois muitos serviços e concursos o estão exigindo para a contratação. E não desistam!

– O que te atraiu para a escolha da Perfusão como habilitação?

RM – A minha escolha da habilitação acabou sendo por eliminação: peguei a lista de todas as habilitações e fui riscando o que não gostava ou não me via atuando. Gosto da bancada, mas tenho paixão pela adrenalina da assistência ao paciente e pouca previsibilidade. Sobraram poucas opções e, dentre elas, escolhi a Perfusão Extracorpórea e as Análises Clínicas. Não cheguei a atuar diretamente na área de Análises, contudo tenho certeza de que utilizo o conhecimento que adquiri nesta habilitação na Perfusão. O perfusionista é um profissional que precisa de muitas áreas de apoio para exercer com excelência o seu trabalho, dentre elas o laboratório de análises clínicas. Ter o conhecimento de como é este setor e a realização dos seus exames me auxiliou na comunicação e no entendimento entre as equipes, principalmente no momento crítico que é a realização da Perfusão em uma cirurgia de alta complexidade.

 

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Imprensa CRBM-5

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