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Biomédica relata os desafios do trabalho durante a pandemia

28-07-20 | Destaque, Notícias

A pandemia do novo coronavirus tornou a rotina dos laboratórios e hospitais de todo país mais intensa. Em Chapecó, que até segunda-feira (27) registrava 3.904 casos de Covid-19, não foi diferente. O exemplo está no Hospital Regional do Oeste, um dos principais do município.

A biomédica Pâmela Schneider Durigon trabalha há cinco anos no laboratório de análises clínicas do hospital, atuando em hematologia, bioquímica, imunologia e urianálise. Os exames específicos para a identificação do novo coronavirus estão sendo realizados pelo Laboratório Central de Santa Catarina – no hospital está sendo feita somente a coleta das amostras de pacientes suspeitos.

A pandemia exigiu novas competências e alterou o dia-a-dia de trabalho da equipe do laboratório, conforme conta Pâmela nesta entrevista ao CRBM-5. A biomédica também avalia os desafios e a importância da etapa do diagnóstico para o controle da doença.

“O medo de se contaminar e levar o vírus para nossa família gera muita pressão para o ambiente de trabalho”, relata a biomédica Pâmela Durigon.

– Os profissionais do Laboratório tiveram que fazer alguma capacitação para atender os infectados pelo novo coronavirus?

Inicialmente tivemos um treinamento do pop de coleta do swab de naso e oro-faringe, assim como sobre a paramentação e o uso dos EPIs necessários para o contato com pacientes suspeitos e confirmados. No início, quando os casos ainda eram poucos, a responsabilidade da coleta ficou com as equipes de enfermagem, porém, com o aumento de casos, o laboratório assumiu as coletas tanto de sangue quanto dos swabs.

– No que alterou na rotina do laboratório a pandemia?

Hoje existem três rotinas que foram implementadas para o período de pandemia, uma em cada turno, nas alas de Covid-19. Durante o dia, o laboratório possui uma colaboradora por turno responsável pelas coletas nestas alas e nos suspeitos provenientes do pronto socorro. A rotina nestas alas implica em cuidados e tempo extra, já que é necessária a troca de EPIs.  Entre as coletas e na saída da ala, a colaboradora se higieniza e troca de uniforme. Além disso, foi necessário a contratação de novos colaboradores e a reorganização das rotinas e das equipes neste período.

– Qual a importância da etapa do diagnóstico para o controle da Covid-19?

O diagnóstico é fundamental para o controle da pandemia, pois sendo uma doença muitas vezes assintomática acaba por disseminar o vírus de forma descontrolada. É importante também o acompanhamento dos pacientes com sintomas, mesmo que sejam leves, pois, como a patogenia e complicações da infecção pelo Sars-Cov-2 ainda não estão totalmente elucidadas, pode haver uma piora do quadro de forma abrupta, como já vivenciamos em nosso hospital.

– Você acredita que os profissionais de diagnóstico estão mais valorizados devido a esta pandemia?

Acho que a área da saúde como um todo recebeu mais visibilidade, porém entendo que os profissionais do diagnóstico e o laboratório não foram mais valorizados.

– Do ponto de vista de quem está na linha de frente de combate ao coronavirus, quais aspectos você considera mais desafiadores para o controle da pandemia? 

A falta de informações concretas sobre a doença e a vinda de novas informações diariamente sobre a patologia em si,  os tratamentos, o  processo de diagnóstico e sobra as comorbidades e as alterações causadas no organismo é um desafio gigantesco. Tudo isso, aliado ao medo de se contaminar e à possibilidade de levar o vírus para nossa família, torna o processo muito difícil e gera muita pressão para o ambiente de trabalho. Quanto a controlar a pandemia em si, acredito que apenas com o isolamento social e o investimento em pesquisas para a produção das vacinas é que poderemos de fato controlar a disseminação do vírus.

– Por que a escolha pela Biomedicina e pela área de análises clínicas?

A biomedicina me cativou pela possibilidade de trabalhar com pesquisa, entendia como algo fascinante poder trabalhar dentro de um laboratório na busca da cura de alguma doença. No decorrer do curso me apaixonei pelas análises clínicas, pelo diagnóstico, por descobrir qual é o problema que trouxe aquele paciente ali. Sinto que a vida deles está nas minhas mãos e o meu trabalho pode trazer um diagnóstico preciso que, se for precoce, pode mudar totalmente o curso da vida de alguém. Sou completamente apaixonada pela hematologia onde, muitas vezes, fiz o primeiro exame de um paciente com leucemia, que apesar da gravidade e da dor daquela pessoa, foi diagnosticada de forma correta e precoce, o que é fundamental para seu tratamento. Atrai-me o fato de estar fazendo a diferença na vida de alguém, estar ajudando a salvar vidas todos os dias e isso é o que me move é o que me faz estudar e buscar conhecimento todos os dias.

Imprensa CRBM-5

 

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